Não, não é dos incêndios de Verão, embora essa infelizmente também já se tenha apresentado com toda a força, destruindo florestas, bens e também vidas.
Refiro-me à utilização intensiva que está a ser feita de muitos cérebros (incluindo de alguns dos próprios ministros/as) para tentar compreender a lógica do Governo Pedro e Paulo, a sua orgânica e como é que foram ali parar.
O Mar junto com a Defesa parece ter um sentido intuitivo: é lá que vão andar os submarinos! A ministra da Educação ser especialista em regulação de comunicações também: os erros grosseiros que têm sido cometidos com as listas dos concursos para colocação dos professores são obviamente um problema de comunicação.
Outros são mais difíceis. Nobre Guedes no Ambiente e Ordenamento do Território? Ninguém lhe conhece uma linha, um comentário, um desabafo sobre o assunto. Telmo Correia no Turismo? E vai fixar residência no Algarve?
Mesmo que abandonemos o tom brincalhão, a questão é séria (e toda a gente sabe que só se brinca cm as coisas sérias).
O Trabalho é separado da Segurança Social e é anexado pela Economia? Qual o sentido? É para ser tratado cada vez mais como apenas mais um factor produtivo, ao mesmo nível do equipamento, das matérias-primas, da energia, e não como um Recurso Humano, constituído por pessoas, e que tem uma autonomia jurídica própria?
E muitos outros exemplos se poderiam apresentar, como o têm feito vários analistas, que não encontram coerência alguma neste governo.
Faço votos de que estejamos todos enganados, e de que daqui a algum tempo verifiquemos que a bondade e coerência deste governo só não são agora reconhecidas por ser demasiado evidente, ou em alternativa demasiado complexa. Qualquer coisa.
Data para comemorar - foi há 35 anos que Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar o solo de outro planeta! A aposta de Kennedy estava ganha: depois de os EUA terem sido surpreendidos pela União Soviética com os primeiros Sputnik e com o voo orbital de Gagarine, o então Presidente dos Estados Unidos prometeu aos seus concidadãos que o primeiro voo tripulado ao nosso satélite se realizaria antes do fim da década, o que se veio a verificar em 1969.
Quando nos maravilhamos com as conquistas da aventura espacial, não nos devemos esquecer que ela foi fortemente impulsionada pela rivalidade entre as duas superpotências, até ao desaparecimento da União Soviética, e que, mesmo hoje, com o aparecimento de outros actores, a componente militar continua fortíssima.
As belas imagens de planetas do nosso sistema solar que nos são enviadas pelas sondas não tripuladas de hoje levam-me sempre a sonhar que um dia a aventura espacial (e outras, aqui na Terra) deviam ser aventuras comuns da humanidade. Sonhar de vez em quando faz bem.
Do artigo de Miguel Sousa Tavares no Público, tomo a liberdade de assinar por baixo, não só esta parte como o artigo todo:
"E constato que vou ter a governar-me na Câmara de Lisboa alguém que nem sei quem é; a primeiro-ministro alguém que apenas se candidatou à Câmara de Lisboa; na presidência da Comissão Europeia alguém que foi o maior derrotado das eleições europeias, alguém que na hora decisiva se pôs ao lado da "arrogância e do unilateralismo" americano contra a Europa e alguém que jurou aos portugueses que não fugia, como o seu antecessor. E na Presidência da República alguém que se esqueceu de quem e porquê o elegeu. Ou seja: ninguém, de facto, me representa e, todavia, eu votei em todas as eleições. Entre mim e esta democracia há qualquer coisa que não bate certo. Ou será entre mim e o "patriotismo moderno"? "
Os Estados Unidos vão ter eleições presidenciais daqui a pouco mais de quatro meses. G.W. Bush tenta a reeleição, enquanto do lado dos democratas John Kerry escolheu o seu oponente nas primárias, John Edwards para candidato a vice-Presidente.
Depois da desastrosa e perigosa administração de Bush Júnior (em muitas áreas, da economia e fiscalidade ao ambiente e aos subsistemas de saúde para os idosos e os mais carenciados, da arrogância neoconservadora nas questões de sociedade ao endosso e apoio à política agressiva de Sharom, e não apenas na agressão e ocupação do Iraque, que não só não contribuiu para a luta contra o terrorismo como desviou recursos fundamentais para o seu combate, para além de ter instituído a mentira, a chantagem, o unilateralismo e os mais grosseiros atentados aos direitos humanos cometidos por uma democracia), quase que se pode dizer que qualquer mudança é boa. Mas não é bem assim, a história já nos mostrou que as coisas podem sempre ser piores do que são.
Em qualquer caso, e embora Kerry não me inspire grandes simpatias, acho que oa EUA e o mundo ficariam a ganhar com a sua eleição.
Há no entanto um aspecto (pelo menos) que Kerry e Edwards deveriam explicar melhor aos seus eleitores (e a nós todos, o resto do mundo): é que ambos votaram favoravelmente a resolução do Senado autorizando a guerra ao Iraque. Esse é um ponto quente na agenda eleitoral dos EUA, como se pode ler neste Editorial do Los Angeles Times. Os argumentos até agora apresentados pelos dois candidatos não têm convencido, e se eles hoje atacam fortemente Bush por causa da guerra, precisam de convencer muitos eleitores de que têm moral para o fazer.
Com a devida vénia ao Causa Nossa, não posso deixar de citar esta frase de um seu leitor, num post inserido por Vital Moreira no domingo, 11:
(...) Depois quando tem uma oportunidade de escutar o país toma esta decisão baseada num pensamento redondo e burocrático. A única justificação para não convocar eleições foi porque o PSD e o PP lhe garantiram que estavam disponíveis para assegurar o governo. Olha que realmente era necessário consultar dezenas de pessoas para tirar esta linda conclusão.
Já agora, alguém me explica o que aconteceria se o Alberto João Jardim fosse o vice-presidente do PSD?»
(LAC, Cornell)
Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a sua alma.
És em ti a ilusão de cada dia,
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna,
E ficas logo triste, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.
(Pablo Neruda, poema 12 em "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", Publicações Dom Quixote, 1977, 7ª edição, tradução de Fernando Assis Pacheco)
Na entrevista concedida ontem à SIC, Santana Lopes mostrou que o seu processo de decisão política continua o mesmo. Não é preciso definir princípios, metas, avaliar recursos disponíveis, discutir a bondade das decisões. Basta que no decurso de uma entrevista lhe seja colocada uma pergunta, e a resposta sai solta e rápida com alguma ideia que lhe ocorra no momento. Porque não o Ministério da Agricultura, por exemplo, em Santarém? E, também por exemplo, porque não a Secretaria de Estado do Turismo no Algarve, e o Ministério da Economia no Porto? Já agora - sugestão minha - porque não a Presidência do Conselho de Ministros em Bruxelas, mais próxima dos centros de decisão da União?
Claro que este é o velho estilo de demagogia populista a que Santana sempre nos habituou. E claro que há sempre muita gente, entrevistada ao acaso no meio da rua, que acha as medidas ótimas, e verdadeiras manifestações da vontade de descentralizar, de retirar o poder ao Terreiro do Paço.
Há certamente muita coisa a fazer no domínio da reforma da Administração Pública, mas entre elas não se conta semear o país com ministérios. Há processos burocráticos a rever ou eliminar, e há que aproximar a administração das pessoas. Mas Portugal não tem o tamanho da Austrália, e por outro lado, paralelamente à intensificação do uso das novas tecnologias no E-Government, há serviços que podem e devem ser desconcentrados, e competências que devem ser atribuídas a Direcções-Regionais e serviços locais, por forma a que as pessoas não tenham que se deslocar centenas de quilómetros para resolver pequenos assuntos. E colocar os Ministérios, órgãos políticos e não administrativos, nos sete cantos do país só serve para mistificar a não resolução dos outros assuntos.
Mas tenhamos esperança: pode ser que estas medidas tenham o mesmo grau de execução da reconversão do Parque Mayer, do casino de Lisboa (nos múltiplos locais para ele previstos), do túnel do Marquês, etc. etc.
O Presidente da República, após quinze dias de suspense e imensas consultas (pode-se perguntar agora para quê), acabou por decidir pela "estabilidade" (?) governativa e conceder ao PPD/PSD/CDS/PP o prémio de beneficiarem de uma crise aberta pela ambição pessoal e arte da fuga de José Barroso. Mas o PR diz que o faz porque acreditou nas promessas da coligação acerca da continuidade das políticas até aqui seguidas em certas áreas.
O Presidente esqueceu-se de várias coisas, convenientemente.
A crise foi desencadeada pela saída do Primeiro-Ministro em exercício para um cargo europeu que outras personalidades, incluindo primeiros-ministros, haviam recusado, dados os compromissos que tinham assumido com o seu eleitorado. Esse mesmo ex-PM havia sido a cara e a voz da campanha que conduziu o seu partido a uma maioria relativa e que havia de, através de uma coligação pós-eleitoral com o PP, formar o governo que, com a sua demissão, se extinguiu. Ao que parece, a "convicção íntima e pessoal" de Barroso de que não haveria eleições antecipadas não era destituída de fundamento.
Ao saír também da chefia do seu partido, Barroso deixa-o entregue ao homem que ele próprio havia derrotado em Congresso. Sobre as características pessoais e políticas desse homem, Santana Lopes, já muito se falou e foi escrito. Para não citarmos ninguém da oposição, leia-se, por todos, a demolidora crónica de Pacheco Pereira no Público de 1 de Julho.
É evidente que apenas formalmente se pode afirmar que a maioria coligada é a mesma que suportou o governo de Barroso. Numa crise de contornos inteiramente políticos, Jorge Sampaio optou pelo formalismo, descurando inteiramente a leitura política da situação e dos seus novos actores. Ao contrário do que disse, foi o notário e não o garante da estabilidade democrática. A estabilidade não é ficar quieto face aos jogos palacianos que consolidaram o populismo no poder, é criar condições que legitimem quem vai exercer o poder. A mensagem que passa é que as eleições democráticas são um incómodo e criadoras de instabilidade.
Os governos devem responder perante os eleitores no fim do seu mandato. Barroso, saindo pela porta dos fundos, para além de sobrepor a sua ambição política à lealdade para com os seus ministros e para quem nele votou, nunca responderá. Mas não se pense que Santana vai assumir essa responsabilidade, quando terminar a legislatura quando muito responderá pela sua parte, e mesmo assim já tem um alibi para o que correr mal: o Presidente da República não o deixou fazer o que gostaria de fazer, no seu discurso avisou que não o ia deixar mudar de políticas.
E esta é apenas mais uma das contradições do discurso de Sampaio: desde quando, no nosso sistema constitucional, é o PR que diz que políticas devem ser seguidas pelos governos?
A equipa derrotada na final do Campeonato da Europa é a vice-campeã, ou é simplesmente a primeira dos últimos?
O jogo acabou e a Grécia ganhou. Foi um triunfo em que ninguém apostaria, antes do Euro começar e mesmo até algum tempo depois de começar. Mas o certo é que a estratégia de Rehagel (uma boa organização, uma estrutura defensiva forte, jogadores que, sem serem tecnicistas, não são uns toscos) se veio a revelar vitoriosa.
E Portugal? Hoje não foi um dos seus melhores jogos, e grande número de jogadores da equipa base estiveram completamente desinspirados. Mas também lhe faltou sorte, na medida em que mesmo assim mostrou um melhor fio de jogo e criou mais oportunidades. Na minha opinião, a entrada de Rui Costa foi tardia, mas eu sou apenas o treinador do meu sofá. De qualquer modo a equipa teve globalmente uma atitude muito positiva. Só que no jogo decisivo quem ganhou foram os gregos.
Ou para não se falar apenas de futebol hoje.
Já que estou em maré de saudar os americanos no seu dia nacional, aconselho a leitura de mais três artigos (de autores americanos, por causa daquela coisa do anti-americanismo) saídos hoje no New York Times: de Barbara Ehrenreich "Their George and Ours", de Maureen Dowd "Not Feeling Groovy", e de Walter Isaacson "A Declaration of Mutual Dependence".
Mas hoje é também o feriado nacional dos Estados Unidos.
Para além de saudar todos os americanos (como se convencionou chamar aos cidadãos dos Estados Unidos, o que os outros americanos - do Canadá à Terra do Fogo - não gostam lá muito), queria aconselhar o artigo do Michel Moore no Los Angeles Times de hoje. E não resisto a citar algumas questões que ele coloca aos seus concidadãos:
"Are you proud that one in six children lives in poverty in America?
Are you proud that 40 million adult Americans are functional illiterates?
Are you proud that the bulk of the jobs being created these days are low- and minimum-wage jobs?
Are you proud of asking your fellow Americans to live on $5.15 an hour?
Are you proud that, according to a National Geographic Society survey, 85% of young adult Americans cannot find Iraq on the map (and 11% cannot find the United States!)?
Are you proud that the rest of the world, which poured out its heart to us after Sept. 11, now looks at us with disdain and disgust?
Are you proud that nearly 3 billion people on this planet do not have access to clean drinking water when we have the resources and technology to remedy this immediately?
Are you proud of the fact that our president sent our soldiers off to a war that had nothing to do with the self-defense of this country?"
Hoje é o dia da grande final do Euro 2004, e a selecção portuguesa é, merecidamente, uma dos finalistas, juntamente com a selecção grega.
Todos esperamos ser campeões, e vamos continuar a torcer por isso até ao final do jogo (os jogadores também ajudarão, fazendo a parte deles), mas se tal não acontecer, já houve muita coisa boa de que nos orgulharmos.
Seja qual fôr o resultado do jogo de logo ao fim da tarde, amanhã é dia de ressaca e de nos voltarmos a preocupar com outras coisas, que esta vida não é só futebol (em Agosto há os Jogos Olímpicos, precisamente em casa dos nossos adversários de hoje...).
A semana que se inicia hoje (e em que eu estarei ausente em férias) vai-nos esclarecer sobre qual a decisão do Presidente da República para a resolução da crise em que a ambição e/ou a vaidade pessoal de dois amigos/inimigos lançou o país.
O que havia a esclarecer já foi esclarecido, já se fizeram análises luminosas e outras simplesmente idiotas sobre o que o PR deve fazer. Todos disseram que não pretendiam pressionar ou condicionar a sua decisão, mas todos o fizeram alegremente.
Eu, que igualmente não pretendo (nem poderia) pressionar quem quer que seja, acho apenas que só há uma saída decente para a crise:
ELEIÇÕES ANTECIPADAS JÁ!