A trapalhada em que se transformou o processo de colocação de professores tem dado origem a muitas intervenções, artigos, pedidos de demissão, etc. De tudo isso temos tido ampla divulgação nos meios de comunicação. É matéria importante, que politicamente não atinge apenas o governo actual, mas todos os anteriores que não deram solução satisfatória ao problema.
Mas igualmente importante é a discussão paralela que se desenrola na web, sobre o referido concurso e as teorias da computação matemática, nomeadamente se o problema em apreço (a colocação dos professores segundo critérios optimos e respeitando o que a respectiva regulamentação e legislação impõem) é matematicamente possível ou exequível, e em caso afirmativo, se o é em tempo útil. Questões como teoria da complexidade, teorema de Godel e indecidibilidade, problemas de tipo P ou NP: um grande número de pessoas com conhecimento profundo destas questões (embora nem sempre, e por razões aceitáveis, conhecedores das regras do concurso, e sobretudo da forma como se processou a transmissão de informação aos programadores da aplicação, bem como de que forma estes abordaram o problema) tem apresentado na web, sobretudo em blogues, contributos importantes que, como sub-produto de um fracasso, enriquecem o debate em àreas em que ele normalmente se processa em circuito fechado. Citamos a título de exemplo as cartas de leitores que Pacheco Pereira tem publicado no Abrupto, sob o título genérico O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COM OS DEDOS OU COM AS MÃOS.
Tudo o que se passou e continua a passar à volta do homicídio de uma criança numa pequena aldeia algarvia, supostamente pela própria mãe e por um tio, é de uma repugnância a toda a prova.
O crime em si mesmo dispensa palavras. Um homicídio é sempre um acto miserável, mas o homicídio de uma criança, sobretudo (ao que parece) executado pela própria mãe, entra na categoria do inominável, infelizmente não do inimaginável, porque outros casos (mais do que gostaríamos de acreditar) de vilência familiar sobre crianças aconteceram entre nós ainda recentemente.
A história completa está longe de ser conhecida, pois ainda nem sequer o corpo da infeliz criança foi encontrado. Mas vão surgindo detalhes, sobre uma hipotética venda da criança a uma cidadã estrangeira, sobre as condições de miséria em que vivia (vive) aquela família, etc.
Outros aspectos reveladores da miséria moral que envolve este caso são, o tratamento que as televisões lhe têm dedicado, fazendo longos directos das diligências da polícia que não acrescentam um grama de informação, interrogando todos os que encontram pela frente para saber o que pensam do caso, como acham que o crime foi cometido (até a uma criança que não teria 10 anos essa questão foi colocada!), e as excursões de turismo mórbido e voyeur de multidões que se dirigem (algumas de bem longe) até à pequena aldeia, para verem ao vivo e poderem depois contaqr que estiveram "lá", onde o crime foi cometido! Por uns momentos dispensam a reality TV para respirarem a própria realidade e serem eles próprios gravados pela TV.
Naquele Tempo
Sob o caramachão de glicínia lilaz
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas
Abril de 98
Mais uma vez assistimos àquilo de que são capazes alguns seres humanos. Tal como havia acontecido com o 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, também agora o horror na pequena cidade da Ossétia do Norte nos entrou pela casa dentro, em directo e a cores. Tal como os terroristas gostam, para que o alcance do terror que espalham seja o mais amplo possível, planetário. Nada pode alguma vez justificar actos como este. Por mais justas que sejam as reivindicações, por mais horrendos que sejam os agravos sofridos.
E para quem se espante ou indigne com o facto de se chamar seres humanos a um grupo de terroristas capazes de cometer uma tal desumanidade, recordo que enquanto espécie temos de arcar com o pacote todo: a história da humanidade não é, infelizmente a história da bondade, do bom-senso, da virtude. Se fomos nós (humanidade) que fizemos essa história, seremos nós que faremos o futuro. Dependemos só de nós proprios, na forma como regularemos os nossos conflitos permanentes de ideias e de projectos.
A propósito da entrevista de Bush Jr. à TIME sobre o "sucesso catastrófico", a mesma vem na Visão desta semana, onde o grande líder explica melhor o bizarro conceito, além de preocupar ainda mais os cidadãos do mundo com as suas certezas, a sua crença messiânica, e a sua religiosidade selectiva, e a exportação da liberdade.
No seguimento do interessante debate no BdE sobre os modelos europeu e americano (dos EUA), Viver para trabalhar ou trabalhar para viver, Mobilidade e Riqueza.
Assine a petição aqui. Contra a hipocrisia e o abuso da autoridade do Estado,