E vista por um europeu
Bush na Eurolândia
Filipe Rodrigues da Silva
Vista por um americano
Bush Listened to Europe - Now watch him ignore all the advice he got. By Fred Kaplan
Bush Listened to Europe
Now watch him ignore all the advice he got.
By Fred Kaplan
Num artigo no Público de anteontem (também disponível na Aba da Causa), Vital Moreira, tomando como base o Código de Bom Governo adoptado pelo governo do PSOE liderado por J.L. Zapatero, lança o repto ao PS liderado por José Sócrates (embora não o mencionando explicitamente):
E em Portugal, nas vésperas de eleições parlamentares, o provável partido vencedor bem podia assumir antecipadamente compromissos fortes nesta matéria. Quem sabe se não seria um bom argumento adicional para conquistar a ambicionada maioria absoluta?
Já não há muito tempo de campanha para se assumir um código de conduta baseado no dos socialistas espanhóis, pelo que (se há vontade) Sócrates devia apressar-se.
Mas se pelo menos for adoptado (e cumprido) depois das eleições já será muito bom.
Esta campanha eleitoral, paradoxalmente, é das mais chochas a que já se assistiu. Isto em termos de debate e esclarecimento político, porque em termos de trapalhadas, oportunismos, demagogias baratas e "perfis" é das mais preenchidas.
Quando a situação económica, financeira e social do país é o que se sabe, quando a União Europeia, depois de um apressado alargamento sem o necessário aprofundamento, se prepara para os referendos ou ratificações do chamado tratado constitucional, quando a situação internacional e a clarificação das relações UE/EUA mereciam um debate aprofundado, ouvem-se apenas declarações de intenções e objectivos ou, na maior parte do tempo, lamúrias e insinuações.
Santana Lopes tem sido o mestre desta última especialidade. No partido, queixa-se de que todos lhe batem (verbalmente ou com a porta). Os jornais, batem-lhe. As empresas de sondagens, batem-lhe. Para fugir da tareia, faz insinuações torpes aproveitando a onda de boatos que também caracteriza esta campanha, ou queixa-se da maldade do Presidente da República e da "pesada herança" que Guterres lhe deixou. Quer ganhar votos na base de que as pessoas têm sempre pena das vítimas e dos abandonados. Não lhe passa pela cabeça que se quase todas as principais figuras do seu partido fogem à sua aproximação é devido à imagem que ele próprio criou de incompetente, trapalhão, populista, negligente, cujo único objectivo é a sua promoção pessoal. Quando se tratava apenas das revistas de coração era mais fácil, agora é-lhe difícil ter boa imprensa, tirando Luís Delgado e pouco(a)s mais.
Paulo Portas continua a sua caminhada de pequeno lorde precocemente envelhecido. As figuras tristes a propósito da trasladação de Maggiolo Gouveia ou do Born Diep são pouca coisa: ao lado de Santana, até Portas faz figura de sério, competente, Homem de Estado. O fatinho às riscas faz o resto.
O cume do oportunismo (até agora) deste governo (?) da direita foi o aproveitamento (ou tentativa de) da religiosidade popular para, pelo falecimento da Irmã Lúcia, suspender a campanha, cancelar uma entrevista televisiva, decretar luto nacional (!!) e, cereja no cimo do bolo, aparecer no debate de fato e gravata preta (quase se pode imaginar Portas a dar uma batida na testa a castigar-se por não ter pensado nisso).
(com a ajuda da Adriana Calcanhoto)
Sou eu assim sem você
Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
nem mil alto-falantes
vão poder
Falar por mim
Amor sem beijinho
Bochecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu assim sem você
Tou louca pra te ver chegar
Tou louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Porquê?
Porquê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem a estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
nem mil alto-falantes vão poder
Falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo.
No NYT, Bob Herbert dá conta da odisseia de um canadiano de origem síria, Maher Arar, que, no regresso de uma viagem de férias familiares à Tunísia, e enquanto se encontrava no aeroporto Kennedy em Nova Iorque a mudar de avião para seguir para o Canadá, foi detido pelas autoridades americanas, algemado de braços e pernas, e metido num avião executivo.
Como diz Herbert, "In an instant, Mr. Arar was swept into an increasingly common nightmare, courtesy of the United States of America. The plane that took off with him from Kennedy "flew to Washington, continued to Portland, Maine, stopped in Rome, Italy, then landed in Amman, Jordan."
O destino de Arar era a sua Síria natal, onde foi torturado e, apesar de uma confissão arrancada pela força, as próprias autoridades sírias o vieram a libertar, por não terem encontrado quaisquer indícios de ligações a grupos terroristas.
O artigo de Herbert baseia-se noutro, de Jane Mayer, saído na The New Yorker. O seu título é "Outsourcing Torture."
O acordo alcançado entre o Estado de Israel e a Autoridade Palestina veio de novo alimentar a esperança na resolução do conflito. Esperemos que sim, mas convém não esquecer as outras luzes de esperança que logo se apagaram, e igualmente os escolhos que não deixarão de se colocar à frente do processo.
Do lado palestino, a posição de algumas formações mais extremistas, sobretudo do Hamas, mas não só, será crucial. Estarão dispostas a dar uma oportunidade à paz, e à consolidação de um verdadeiro Estado palestino? Estarão os palestinos dispostos a abdicar de algumas exigências, como a do retorno dos refugiados, ou pelo menos a deixar a sua discussão para mais tarde?
Do lado israelita, qual será a posição quanto aos colonatos (não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia), e ao muro que inviabiliza a continuidade geográfica da Palestina? A promessa de libertação de 900 prisioneiros é um bom começo, mas os judeus mais ortodoxos não abdicarão facilmente do Grande Israel e dos colonatos.
Esperemos para ver o que nos reservam os próximos dias.