maio 30, 2005

Vale a pena ler

Canhoto

Surgiu recentemente na blogosfera um novo membro, o Canhoto. Ainda tem poucas entradas, mas de qualidade, e vindo de quem vem, esperam-se muitas mais.

Para já, de assinalar, um texto sobre o omnipresente défice, e uma referência ao livro de Douglas S. Massey, "Return of the “L” Word. A Liberal Vision for the New Century". A renovação e reafirmação da esquerda americana (os liberals) pode enriquecer e inspirar a esquerda europeia e não só.

Publicado por acarranca em 10:36 AM | Comentários (0)

maio 05, 2005

A surpresa Marques Mendes

Tenho a impressão que nunca neste blog elogiei um dirigente do PSD. Aliás acho que nunca elogiei qualquer líder partidário, dentro ou fora da minha área política (para que conste, esquerda).
Mas acho que em qualquer democracia é tão importante uma maioria responsável e competente como uma oposição responsável e competente.
Marques Mendes parece querer pôr ordem no seu partido, e pôr na ordem os exemplos mais nocivos da deriva populista que levou o PSD à sua situação actual. Primeiro, ao afastar Santana Lopes da corrida à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Depois, ao fazer o mesmo a Isaltino de Morais (em tempos apontado como o "autarca modelo" do PSD) relativamente a Oeiras. E hoje leio que Valentim Loureiro vai pelo mesmo caminho.
Será que essa postura de coragem irá ao ponto de afrontar o inenarrável Jardim, relativamente à limitação de mandatos de cargos executivos? Ou continuará a direcção do PSD refém do soba da Madeira?

Publicado por acarranca em 10:36 AM | Comentários (1)

A LER

Por um catolicismo como o mundo moderno espera, de João Lobo Antunes (link apenas válido para assinantes).

"E contudo este não é o melhor dos tempos para o espírito dos homens. A atitude confortável é dizer simplesmente que, por razões múltiplas e complexas, tudo isto resulta de uma crise de valores morais que alguns consideram resignadamente como consequência inevitável da "modernidade".
Assim se proclama o anátema da decadência espiritual de uma sociedade chamada depreciativamente técnico-científica, que cobre um novo bezerro com o ouro do êxito, do poder, do dinheiro, da exaltação da vida e do sucesso.
E de facto, parece evidente que todas as conquistas que poderiam ter levado ao triunfo incontestável sobre tantos males da civilização não foram acompanhadas de um progresso moral correlativo, e, mais do que isso, é mais tímida a afirmação dos valores de morais tradicionais em que fomos educados, e mais envergonhado o testemunho de uma cidadania na tradição cristã ocidental. E a própria Igreja não permaneceu incólume, abalada por escândalos que revelaram as chagas da sua pobre humanidade, ou pela ofensa de um silêncio quando a história parecia reclamar um grito.
"
(...)
"Parece hoje que apenas pagamos a César, e que já não são nossos os mártires. Se a Igreja tem decerto uma voz mais activa na intervenção política, e se se verifica o que se poderia chamar uma globalização do poder Papal, na afirmação vigilante da solidariedade e da justiça, a Igreja não se pode afastar das reais questões da sociedade do nosso tempo, a sua voz não pode ser débil quando interpelada pelas consciências inquietas, nem frágil e fragmentada a intervenção dos católicos, nem retrógrada a sua posição em relação aos desafios contemporâneos da ciência e da técnica. É que a Igreja surge por vezes como uma força que parece travar e não iluminar, como se a revolução científica a apanhasse de surpresa, e a sua resposta fosse tardia e inadequada. De facto, o progresso científico criou saberes e tecnologias cuja aplicação parece desafiar uma ordem moral sedimentada ao longo dos séculos, e a Igreja tem de desembaraçar o complexo novelo da modernidade."

Publicado por acarranca em 10:11 AM | Comentários (0)